A História da Minha Terra

Os Celtas, os Visigodos, os Bárbaros, os Lusitanos, os Romanos, os Árabes, tantos e tantos povos que encheram de história esta pequena grande terra.
Quando a Ribeira de Santarém um dia for 'Amada' então os seus filhos e admiradores descobrirão que a História de Portugal é muito rica.
Esta a terra onde nasci, Princesa abandonada junto do rio que tanto lhe deu e tanto lhe tira.

segunda-feira, 7 de março de 2011

SANTARÉM / SCÁLABIS







GentílicoScalabitano, Escalabitano, Santareno
ConcelhoSantarém
Área565,819 km²
População63 563 hab.
Densidade112,3 hab./km²
OragoSão Nicolau
Fundação do Município
1095
Feriado Municipal19 de Março
Código postal2000 Santarém

Situada num planalto, rodeada pelos cumes de Alcáçova, Capuchos, Outeiro da Forca, Sacapeito, S. Bento, Senhora do Monte e Monte dos Cravos, banhada pelo majestoso Rio Tejo, a cidade de Santarém, também chamada cidade das sete colinas, é capital de Distrito, capital da província do Ribatejo e considerada, pelo seu passado artístico, imponente e glorioso “capital do gótico português”.
A fundação da cidade de Santarém está associada à mitologia greco-romana e cristã,“reconhecendo-se duas origens míticas na sua génese: no primeiro caso associada a um herói clássico, fundador de uma cidade-estado erguida sobre sete colinas, de nome Habis, presente na mitologia de Tartessos e, no segundo caso, à mártir Santa Irene, de muito provável ascendência peninsular. As duas origens marcaram profundamente os topónimos que ainda hoje são utilizados: Scallabis e Santarém (de Sant`Arein).
Crê-se que a ocupação de Santarém remonte ao século VII a.c.
A conquista romana desta área inicia-se em 138 a.c., com a campanha militar de fortificação de Olisipo (Lisboa) e Móron por Décimo Júnio Bruto.
Seguindo a mesma linha, Júlio César cria, em 61 a.c., um acampamento militar em Santarém. A cidade toma nesta época a designação de Scallabis Praesidium Iulium.
A crise do século III e a decadência do Império Romano do Ocidente afectou a civitas, sendo no século V conquistada e saqueada pelos bárbaros. Em 460, os visigodos, comandados por Sunerico, conquistam-na aos alanos.
A cidade neste período seria constituída pelos núcleos seguintes:
  • Castra Scallabis – cidadela fortificada;
  • Scallabis – a urbe do planalto;
  • Portus ou cataplus romano (Alfange);
  • Seserigo (Ribeira de Santarém) – bairro ribeirinho situado na margem direita da ribeira de Runes.
Em 714 é conquistada pelos muçulmanos, que a ocuparam até 1147. Durante o período islâmico, o território urbano da cidade (Shantarin) estava dividido em quatro núcleos também:
  • A cidade de Alcáçova;
  • A medina de Marvila;
  • O porto de Alfange;
  • O arrabalde de Seserigo.
Entre 1093 e 1111 esteve sujeita ao domínio cristão, durante o qual o rei Afonso VI de Leão e Castela lhe concede, em 1095, uma carta de foral. “É com a atribuição, em 1095, por D. Afonso VI de Leão, de uma carta de foral a Santarém, que começa a história do direito concelhio escrito desta cidade...”
A conquista da cidade aos mouros em 1147, por D. Afonso Henriques, é um símbolo importante na formação do Reino de Portugal. A partir desta data, Santarém tomará novos rumos, novas direcções, aproveitando contudo, o legado dos povos antecessores.
Este rei concede novo foral à vila, dado em Coimbra, em Maio de 1179. Foi confirmado em Santarém, por D. Afonso II, em 8 de Abril de 1214 e de novo confirmado por este mesmo rei, em Coimbra, em 12 de Novembro de 1217.
Com a reforma dos forais, D. Manuel atribuiu-lhe novo foral, em Almeirim, em 1 de Fevereiro de 1506.
A fortificação da cidade foi das primeiras preocupações. A defesa militar foi entregue às ordens religioso-militares, tendo nos séculos XIII e XIV sido reforçadas e constituídas novas muralhas. Assim, no reinado de D. Sancho I, Seserigo (Ribeira de Santarém) viu reforçada a sua muralha e com D. Fernando, as muralhas da Alcáçova Velha (paço real de Alcáçova) foram consolidadas e muralhadas a mouraria da Vila Alta e o chafariz das Figueiras.
Em finais do século XII, esta vila estava estruturada em doze paróquias: sete na parte alta (Santa Maria de Alcáçova, Santa Maria de Marvila, S. Martinho, S. Nicolau, S. Salvador, S. Julião e Santo Estêvão) e cinco na parte baixa (S. Tiago, S. Pedro, S. João Evangelista, Santa Iria a Velha, Santa Maria de Palhais, tendo estas duas originado, em inícios do século XIII a paróquia de Santa Iria, a Nova).
No século XIII foram criadas mais quatro paróquias, uma em Alfange (S. Bartolomeu), duas na Ribeira (Santa Cruz e S. Mateus) e uma na parte alta (S. Lourenço).
Estas quinze freguesias irão sobreviver até finais do século XVII, data em que o número é reduzido para treze, mantendo-se até ao reinado de D. Maria II.
No recenseamento efectuado em 1527, Santarém possuía no corpo da vila, mil novecentos e oitenta e oito vizinhos. Destes, vinte eram fidalgos, vinte e oito cavaleiros, sessenta e dois escudeiros, quinhentos e trinta e quatro viúvas, sessenta e um clérigos e o resto era povo.
Por este censo à população, podemos afirmar que Santarém é, nesta data, a terceira povoação mais populosa do país, a seguir a Lisboa e ao Porto.
Em 1758, contava com dois mil, quinhentos e sete fogos a que corresponderiam entre nove a dez mil pessoas.
Possuía senado da Câmara, com três vereadores, um procurador do concelho, dois mesteres, um alferes, “que tem cadeira de espaldar de fronte do tribunal nas prociçoens a que contuma assestir quando leva o estandarte, e é chanceler que tem o sello, mas não usa delle por se utilizarem os Ministros”, um escrivão da Câmara, um tesoureiro, um síndico, dois almotacés com seus escriváes, um da Repartição de Marvila e outro da Repartição da Ribeira, um agente, um pagem e um porteiro das claves, Casa dos vinte e quatro, com juiz do povo e escrivão, e um almotacé da limpeza.
Era cabeça de comarca. Tinha corregedor com alçada, dois escrivões do juízo, um meirinho, distribuidor, contador, inquiridor, um fiel das apelações, juiz de fora do cível e juiz de fora do crime.
A situação geográfica e o clima ameno de Santarém, foi um dos motivos de atracção do rei e da corte, que fizeram desta vila sua residência preferida, escolhendo a “princesa das nossas vilas”, como lhe chamou Almeida Garret para aqui passarem longas temporadas.
As cortes do reino reuniram por diversas vezes em Santarém, durante os séculos XIII, XIV e XV.
Aqui tiveram lugar vários acontecimentos históricos de relevo, e que a imortalizaram no tempo. Assim, durante o reinado de D. Dinis, realizou-se em Santarém, em 1319, o acto solene da aceitação da bula do Papa João XXII, que confirmou a constituição da Ordem de Cristo e para a qual transitaram os bens patrimoniais da extinta Ordem dos Templários. Este monarca faleceu em Santarém, em 1325. Nesse mesmo ano, com trinta e cinco anos de idade, foi coroado, nesta vila D. Afonso IV, filho de D. Dinis.
Em 1358, foram executados nos Paços Reais de Santarém, os assassinos de D. Inês de Castro, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, execução a que o rei D. Pedro assistiu.
Em 1373 foi assinado em Santarém o Tratado que estabelece a paz entre o rei de Castela, Henrique de Trastâmara e o português D. Fernando I. Após a morte, o corpo deste monarca foi sepultado no alto Coro do Convento de S. Francisco, ao lado de sua mãe, a infanta D. Constança.
Em 1384, no Convento de S. Domingos de Santarém, D. Leonor Teles renuncia à coroa de Portugal em nome de sua filha D. Beatriz e de D. João I, rei de Castela. Santarém fica sobre a tutela deste último, que funcionará como sede da sua acção no território português, entre 1384 e a Batalha de Aljubarrota.
Em 1405 nasceram nesta vila os infantes D. João e D. Fernando (que morreu em Fez), filhos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Em 1477, D. João II foi aclamado rei, em Santarém, debaixo dos alpendres do Convento de S. Francisco, quando se perderam as esperanças de encontrar o rei D. Afonso V.
Em 1491 morreu em Santarém o príncipe herdeiro D. Afonso, filho único do rei D. João II e recém casado com a Infanta D. Isabel, filha dos Reis católicos de Espanha, quando corria a cavalo entre Alfange e a Ribeira, caindo e ficando esmagado pelo animal.
Em 19 de Junho de 1580, D. António Prior do Crato foi aclamado em Santarém, no Mosteiro de S. Bento, rei de Portugal.
Em 5 de Dezembro de 1640, o conde de Unhão, Fernão Teles de Meneses, fez aclamar em Santarém, D. João IV, rei de Portugal.
As tropas francesas de Napoleão conservaram-se neste cidade, de Novembro de 1810 a Março de 1811, fazendo de Santarém seu quartel-general. Os danos provocados, quer á população, quer ao património foram incalculáveis.
Durante as lutas entre liberais e absolutistas, em 1833, o rei D. Miguel escolheu Santarém para se acolher, juntamente com o seu exército, tendo feito corte e quartel-general no palácio onde estão actualmente instalados os Paços do Concelho. Só em 18 de Maio de 1834, Saldanha e as tropas liberais conseguem entrar na cidade.
Em 1851, por provisão do Patriarca D. Guilherme, o número de freguesias foi reduzido a quatro:
  • Marvila
  • Salvador
  • S. Nicolau
  • Santa Iria da Ribeira de Santarém
Santarém foi elevada à categoria de cidade por alvará de 24 de Dezembro de 1868, referendado pelo rei D. Luís I, e assinado pelo Marquês de Sá da Bandeira, nascido na cidade em 1795, e pelo Bispo de Viseu.
No século XIX, a cidade possuía três mil, novecentos e sessenta fogos.
Dentro dos limites geográficos do concelho existem actualmente, para além das quatro freguesias urbanas, outras vinte e quatro freguesias rurais, distribuindo-se por uma área total de 565,819 quilómetros quadrados.
FONTE: Livro "A Heráldica do Município de Santarém" e Sitio "Santarém Digital" 





   

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